domingo, 29 de agosto de 2010

Acerca da hipocrisia

Na Wikipédia está definido: "A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, idéias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou, mais tarde, a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos. Um exemplo clássico de ato hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto realiza a mesma ação".
Jesus chamou os fariseus de hipócritas porque condenavam os outros naquilo que eles mesmos eram encontrados falhos. Hipocrisia é também fingimento. É aparentar ser o que não se é. Fingir ser amigo e não ser, fingir ser honesto e ser desonesto, fingir ser confiável, não sendo, fingir amar, não amando. Tudo isso é hipocrisia.
O hipócrita é alguém que aparenta para os outros aquilo que ele não é no seu íntimo ou mesmo nas suas ações. Se esconde atrás de uma máscara. É fingido. O hipócrita é também alguém traiçoeiro porque não se pode confiar nele. 
O pior é quando encontramos "irmãos" hipócritas. Paulo chama esses de falsos irmãos (Gl 2.4; 2 Co 11.26), que se intrometiam na igreja, fingindo serem irmãos, não sendo. Infelizmente existem falsos irmãos! Lidar com gente hipócrita não é fácil. Mas não se consegue usar máscara por muito tempo, um dia a máscara cai.
Mas como cristãos somos exortados pela Palavra de Deus a sermos sinceros, filhos de Deus inculpáveis em meio a uma geração perversa e corrompida (Fp 2.15) e que o amor seja não fingido (Rm 12.9), em outras palavras, não podemos ser hipócritas!

Silêncio, Deus vai falar!

O profeta Elias passou por uma experiência interessante. Deus o enviou ao Horebe onde iria falar com ele. Antes de Deus falar, Elias ouviu muito barulho. Veio um vento forte que fendia os montes, depois um terremoto e um fogo,  mas o Senhor não estava em nenhuma destas coisas. Deus não estava em meio ao barulho, em meio as manifestações estrondosas que Elias ouviu e viu. A voz de Deus veio de forma "mansa e delicada" (1 Rs 19.11,12), depois que todo o barulho passou.
Muitas vezes queremos ouvir a voz de Deus em meio ao barulho, em meio a confusão em que estamos, mas Deus não se manifesta em nada disso. É preciso ficar em silêncio, é preciso parar a agitação e deixar Deus falar de forma mansa e delicada. Não é em meio a confusão que Deus vai falar, mas no silêncio, quando nos calamos, quando deixamos Ele agir. Deixe o barulho passar, Deus não falará em meio ao barulho. Quando tudo passar, fique em silêncio e ouça a voz de Deus!
É no silêncio, quando estivermos calmos, sem nos agitarmos, que ouviremos a voz de Deus orientando-nos, mostrando-nos o caminho que devemos seguir. Deixe tudo passar, o vento, o terremoto e o fogo, mas Deus se manifestará depois. Espere somente!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Palavras vs. Ações!

Há os que amam e os que dizem que amam. A diferença está nas ações. Falar e não demonstrar não é suficiente. É como a fé, que segundo Tiago, deve ser demonstrada com obras. Dizer que tem fé, mas não demonstrá-la com obras, é uma fé morta, sem valor. Assim, as nossas ações determinam realmente aquilo que falamos. Dizer "eu te amo" e não demonstrar com atitudes e ações de amor, são palavras destituídas de valor e verdade. Não surtem o efeito necessário.
O Mestre ao perguntar a Pedro se este o amava, o fez por três vezes e nas três vezes exigiu de Pedro uma ação "apascenta as minhas ovelhas", ou seja, era preciso demonstrar o amor que ele dizia ter pelo Senhor.
Assim, seja o amor ou qualquer outro sentimento que dizemos ter, deve ser demonstrado com ações de nossa parte. Falar tão-somente não é o suficiente, é preciso demonstrar de fato.
E muitas vezes, sem palavras, podemos demonstrar amor. Um gesto, uma ação, uma atitude pode ser o suficiente. É como nos versos de uma música, que diz "foi no Calvário que Ele sem falar, mostrou ao mundo inteiro o que é amar".
Ouvimos muitas palavras, mas vemos poucas ações!
Quantos discursos bonitos, palavras lindas e emocionantes, mas destituídas de ação, de atitude, de verdade. As palavras nos impactam, mas as ações falam mais alto.
Pense nisso!

Não somos justos, mas...

"Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça bem e nunca peque" (Eclesiastes 7.20).

O estigma do pecado está arraizado no gênero humano desde o Éden. Somos pecadores por natureza, esta é a herança maldita que recebemos de Adão.

Todavia, o fato de sermos pecadores por natureza não é desculpa para se viver no pecado ou desculpa para se justificar a fraqueza humana. Há os que se utilizam disto para tentar justificar seus erros e pecados, usando desculpas como "a carne é fraca". Sim, a carne é fraca, mas somos alertados pelo Mestre dos mestres a vigiar e orar para não cairmos em tentação.

O reconhecimento de que somos pecadores deve levar-nos a uma busca constante de Deus, refugiando-nos nEle cada dia e pedindo graça para vivermos dignamente, enquanto aqui estamos. A fraqueza humana não pode ser justificada com palavras somente, mas com atos de contrição e arrependimento diante de Deus, buscando reconciliar-se com o Criador a cada dia. Não adianta justificativas descabidas, pois Deus conhece o coração e ninguém O pode enganar. Para Deus não adianta dizer "A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi" (Gn 3. 12),  numa tentativa de isentar-se da culpa, mas sim dizer "Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal" (Sl 51.4). Somente assim podemos ser reconciliados com Deus e gozarmos paz e comunhão com Ele.

Desta forma, não somos justos, mas não podemos viver injustamente. Dá de entender? Espero que sim.

domingo, 22 de agosto de 2010

Quando Israel era menino...

"Quando Israel era menino, eu o amei" (Os 11.1).

Jacó é um tanto controverso de se entender. Sua vida está marcada por enganos e erros. Seu próprio nome significa "suplantador", revelando o seu caráter, no sentido de querer levar vantagem em tudo. Enganou seu irmão, seu pai, e tempos depois, o próprio sogro, se bem que fora enganado por este último muitas vezes.
Embora com uma personalidade nada confiável, este homem foi alvo do grande e infinito amor de Deus. O versículo em destaque revela isso. Deus amou a Jacó quando este ainda era menino. Embora sua vida tenha sido confusa, ele era amado por Deus, o Senhor tinha um propósito com ele, e o conduziu até ao ponto de um encontro transformador.
Jacó era o suplantador, mas Deus o amava. Deus via nele o príncipe, o valente, o pai de uma grande nação! Sim, foi no Vau de Jaboque que Jacó deixou de ser o suplantador e foi transformado no "Príncipe de Deus".
Deus olhou para o potencial de Jacó, mesmo sendo tão dúbio. Ele um dia haveria de ser Israel. O amado do Senhor, o grande patriarca, o pai da nação que levou o seu novo nome.
Deus conhece a nossa vida, Ele sabe o que há dentro de nós, o potencial que temos ou não! Somos alvos do amor de Deus, ainda que sejamos dúbios, falhos, nada confiáveis. Haverá um dia que teremos que descer ao "Vau de Jaboque" e nos encontrarmos face a face com Deus. Quando isso acontecer, certamente nossa vida mudará, seremos transformados e nos adequaremos ao propósito que Deus tem para nós.
Que esse dia chegue logo, se ainda não chegou em sua vida! Se chegou, seja o Israel de Deus e não Jacó!

Os Senhor não abandona os seus...

"Porque Israel e Judá não foram abandonados do seu Deus, do SENHOR dos Exércitos, ainda que a sua terra esteja cheia de culpas contra o Santo de Israel" (Jeremias 51.5).

Este versículo mostra quão grande é o amor de Deus! Ainda que Israel e Judá fossem culpadas diante de Deus, todavia o Senhor não as tinha abandonado. Estas nações tinham pecado contra Deus e feito o que era mal aos olhos do Senhor, mas o Deus de misericórdia e amor não as tinha esquecido ou as abandonado à própria sorte. Elas eram alvos da proteção divina, mesmo em meio à transgressão. Era o grande amor de Deus em ação!
Há os que pensam que Deus abandona os seus quando estes pecam ou cometem algum deslize. Deus é Deus de perdão e misericórdia, ainda que não tenha o culpado por inocente, todavia Ele está pronto a restaurar e perdoar o caído. É claro que é preciso haver arrependimento e pedido de perdão para que Deus entre em ação. O Senhor é tardio em irar-se e grande em misericórdia! (Êx 34.6; Jl 2.13; Na 1.3).
Assim, a confiança em Deus deve ser plena e o caído deve entregar-se inteiramente ao amor e compaixão de Deus, confiando que o preço de seu pecado já foi pago por Cristo na cruz do Calvário, e crer que a graça é suficiente para a sua restauração, ainda que pareça impossível aos olhos humanos.
Deus jamais abre mão dos que são seus, a não ser que a própria pessoa não queira render-se e confiar inteiramente no amor do Senhor.

sábado, 21 de agosto de 2010

Em quem confiar?

Algumas vezes somos surpreendidos porque confiamos em alguém e esse alguém nos decepciona. Sabe quando você abre o coração e confia inteiramente em uma pessoa e depois você fica sabendo que essa pessoa traiu a sua confiança? Principalmente quando você confia algum segredo e a pessoa o revela a quem não devia? Que decepção! Vem aquele sentimento de angústia misturado com raiva, revolta, vontade de ir à forra. Não é fácil lidar com isso.
Mas o que fazer? Absolutamente nada! A raiva, a revolta, a decepção, tudo isso não pode ser curado com revanche. Cura-se com perdão, amor e compaixão por quem nos decepcionou. Impossível? Não quando deixamos Deus agir em nossa vida. Jesus nos ensina a perdoar, a não revidar a nenhuma ofensa recebida, por mais dolorosa que seja.
Mas aprendemos com os nossos erros. Aprendemos a confiar nas pessoas certas, e acima de tudo, aprendemos a confiar em Deus. Ele nunca nos decepciona. "Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele tudo fará" (Salmos 37.5).

Não sou perfeito, mas...

O mandamento de Jesus para sermos perfeitos, assim como perfeito é o Pai celestial, nos choca! (Mt 5.48).
Como seremos perfeitos, se somos tão imperfeitos? Jesus está sendo incoerente em exigir isso de nós? Certamente que não! Jesus também sabe que não somos perfeitos, e que pecamos. Sua exigência é no sentido de que devemos buscar a perfeição, por mais pecadores que sejamos. A perfeição seria como o alvo para as nossas vidas.
Então, como lidar com as nossas imperfeições? Como lidar com nossas inclinações para o mal e para o pecado?
O primeiro passo é reconhecer seus próprios pecados e limitações. Ninguém vai conseguir buscar a perfeição sem primeiro reconhecer seus próprios erros, falhas, pecados, limitações e imperfeições. É como o ladrão na cruz que sabia porque estava ali pendurado, seus próprios pecados o conduzira àquela condição. Mas reconheceu isso e voltou-se para quem tinha a solução para a sua vida: JESUS CRISTO. Não é fácil lidar consigo mesmo. O egoísmo muitas vezes é muito forte. Mas é preciso esvaziar-se e confiar naquele que pode nos ajudar: Deus.
Segundo, procurar viver de forma digna. Em outras palavras: VIGIAR! O espírto pode estar pronto, mas a carne é fraca. Vigiar a si mesmo, suas ações, pensamentos, palavras, atitudes. Como é difícil isso! Nossa inclinação para o mal é muito grande.
Terceiro, render-se inteiramente ao Salvador. Entregar-se inteiramente a dependência de Deus é essencial para a busca da perfeição. Só quem é perfeito pode ajudar os imperfeitos.
Isso não é uma receita pronto e completa, mas já é um grande começo.
Dizer não sou perfeito como desculpa para o erro não justifica e não leva a lugar algum.
Sabe quem é o nosso maior inimigo neste mundo? Não, não é o diabo, somos nós mesmos! É a semente mal dentro de nós. Só o Criador para nos ajudar em busca da perfeição! Ainda bem que Ele está pronto a nos ajudar. Louvado seja Deus por isso!

Somos livres

Costumamos dizer que somos livres, mas a liberdade tem um preço. Somos livres dentro de certos limites. A liberdade não é a permissão para se fazer o que se quer e como quer. Como dizem, liberdade envolve responsabilidade. Podemos até fazer o que queremos, mas arcaremos com as consequências. Ouvi uma frase, certa vez, que dizia: "minha liberdade termina onde começa a sua". Parece coerente tal afirmação. Afinal, o espírito do evangelho envolve pensarmos no próximo e não somente em nós mesmos.
E, pensando no próximo, recordo as palavras de Jesus que disse que ninguém tem maior amor do que dar a sua vida por seu irmão. Eu morro para que meu irmão viva. Essa é minha liberdade, de escolher o melhor, dentro dos princípios do Criador.
Assim, a liberdade tem a ver com o respeito aos direitos alheios também. Mesmo que eu tenha liberdade para decidir a minha vida, todavia, não posso ser egoísta de pensar somente em mim e me esquecer de meu próximo.
Somos livres, mas nem tanto. Mas somos livres para fazer o bem em todo o tempo, sem importar a quem. Tudo o que é honesto, tudo o que é puro, tudo o que é bom, se é de boa fama, podemos pensar e fazer.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Os sonhos de Deus

Deus sonha?
O sonho ocorro quando dormimos, Deus jamais dorme, portanto, não sonha.
Mas sei que as pessoas atribui essa afirmação a objetivos e alvos pessoais daqueles que "servem" a Deus. Mas Deus não precisa sonhar, Ele é Senhor absoluto e soberano, tem tudo sob o seu total controle, inclusive nossas vidas. Deus não precisa sonhar, Ele determina, segundo a Sua soberana vontade. Portanto, essa história de sonhos de Deus não tem sentido algum. Não passa de falácia!
A verdade é que Deus pode falar através de sonhos. Ele pode dar alguma revelação de acontecimentos presentes e futuros, como vemos em algumas passagens bíblicas, principalmente na história de José. Mas daí dizer que Deus sonha já é demais!
Deus tem sempre o melhor para os seus filhos. Quando alguém O serve fielmente, pode esperar o melhor, ainda que em circunstâncias adversas. Mas esse "melhor" é sempre na perspectiva divina e não na humana. Na nossa visão podemos até ficar chocados com o que Deus tem de melhor para nós. Pode ser sacrificial até e difícil de entender, mas é o melhor. Deus é Senhor absoluto!
Portanto, paremos com essa história de sonhos de Deus e vamos confiar na Sua soberana vontade para as nossas vidas, que é bem melhor.
A Deus, que não sonha, seja glória!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Eu sei em quem tenho crido

image "Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia."  (2 Timóteo 1.12)

O apóstolo do gentios fala estas palavras com convicção, como um brando de vitória diante das circunstâncias adversas da vida. Suas palavras são de alguém que sabia em quem estava firmada a sua fé e convições. Mesmo padecendo e sofrendo oposições, ele não se envergonhava do evangelho de Cristo. Sabia que o Senhor era poderoso para guardar o seu depósito até o fim. Assim, ele não vacilaria, nem retrocederia na sua caminhada e na sua firmeza de fé.

Ter a convição e a certeza de que se está firmado na Rocha Eterna, nosso Senhor Jesus Cristo, é essencial para se continuar a jornada de fé que nos está proposta. Devemos andar por fé e não por vista (2 Co 5.7). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Mas a fé tem uma direção. É preciso saber em que ou em quem se crer. E para crer em alguém, é preciso conhecer esse alguém. Conhecer ao Senhor é um processo de crescimento constante, "Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR"  (Oséias 6.3). Na medida em que se conhece ao Senhor, pela relação e intimidade com Ele, a fé cresce proporcionalmente. Ainda que bem-aventurados são aqueles que não viram e creram (Jo 20.29).

Quem sabe em quem tem crido não se abala diante das adversidades e tribulações da vida. Ainda que tudo pareça contrário, todavia a convicção de que Deus está no controle de tudo, o levará ao porto seguro, ainda que padeça. “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).

É preciso confiar em Deus. É preciso saber que Ele é Senhor absoluto. Crer é preciso! E saber em Quem se tem crido!

A Ele glória!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um grande amor!

ELES dizem: Se um homem despedir sua mulher, e ela o deixar, e se ajuntar a outro homem, porventura tornará ele outra vez para ela? Não se poluirá de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas ainda assim, torna para mim, diz o SENHOR” (Jr 3.1).
Até que ponto Deus está disposto a perdoar?
O versículo acima nos mostra o grande e imensurável amor de Deus por seu povo. Deus relembra a lei do repúdio de Deuteronômio 24.1-4. A mulher repudiada pelo marido, que se casasse com outro homem, e esse novo marido a repudiasse ou viesse a morrer, essa mulher não poderia de forma alguma voltar a ser do primeiro marido. Caso isso acontecesse seria abominação ao Senhor e poluição da terra, fazendo-a pecar contra o Senhor. Israel é comparada a uma mulher casada com o Senhor. Uma mulher infiel e adúltera, que havia se prostituído com vários amantes (outros deuses). A condição desta “mulher” era tão precária, que segundo a lei, ela jamais poderia voltar a ser de seu primeiro “marido” (Deus). Deus então quebra a lei e diz que aceita Israel mesmo assim. Ainda que Israel fosse uma esposa infiel e adúltera, o Senhor Deus estava disposto a aceitá-la de volta, mesmo contra a lei. É Deus dizendo "eu te aceito, mesmo que tenhas sido tão infiel e te prostituído com vários amantes, eu te perdoo porque te amo"! Que amor!
Somente um Deus amoroso e compassivo poderia agir assim. Se nas relações humanas isso seria algo praticamente impossível, entretanto na relação com Deus torna-se totalmente possível. Deus amava tanto ao seu povo que estava disposto a quebrar uma lei que Ele mesmo havia estabelecido. “Torna para mim, diz o SENHOR”, era o convite amável de Deus ao seu povo infiel.
Assim, Deus está disposto a perdoar até mesmo o que parece imperdoável. Deus mostra que era impossível para Israel receber perdão, segundo a própria lei que eles observavam nas suas relações civis. Deus não se limita nas relações de amor com o seu povo. É o Deus de amor e perdão que quer relacionar-se com os seus, perdoando-lhes as infidelidades e pecados, para que estes O ame, tal como são amados.
Que grande e imensurável amor!




sábado, 7 de agosto de 2010

Quem não tem pecado, seja o primeiro a atirar pedra

João 8.3-11

Com o Mestre temos o encontro com nós mesmos! Ele nos confrota com os nossos próprios pecados. Ele nos leva a refletir sobre a nossa própria condição espiritual. É uma reflexão interior e particular, que nos leva a perceber quem somos de fato.

Somos ávidos para apontar os defeitos e falhas alheias, enquanto somos benevolentes e compreensíveis com nós mesmos. Arrajamos todo o tipo de justificativa para os nossos erros. Afinal, por que olhar para nós mesmos, enquanto podemos nos esquecer e olhar para os outros? Achamos mais fácil tirar o argueiro dos olhos alheios do que tirar a trave dos nossos próprios olhos. Assim é o ser humano.

Jesus não nos desculpa, afinal Ele não tem o culpado por inocente. Ele nos perdoa! Mas o perdão é dado para quem de fato se arrepende. E arrependimento não é um pedido de desculpas simplesmente. É uma transformação interior, sincera e verdadeira, que leva o individuo a uma mudança radical de atitude e pensamento com relação ao mal praticado. Essa mudança implica em um novo rumo, uma nova direção na vida e nas ações. É o agir que leva a reparações, quando isso é possível. Sim, porque há mal que torna-se impossível qualquer tipo reparação e neste caso nada mais resta do que simplesmente perdoar e seguir um novo caminho.

O Mestre conhece o nosso coração. Ele sabe o que se passa dentro de cada um. Ninguém O pode enganar! Para Ele não é necessário muitas palavras, Ele entende e sabe quando estamos arrependidos de fato, a mulher adúltera bastou dizer “ninguém, Senhor” e foi o suficiente para receber dEle a resposta, “Nem eu também te condeno”. E o alívio foi imediato!

Há os que preferem viver com a culpa. É a multidão que reconhece que tem pecado mas não se dobra ao Mestre para receber dEle o perdão. É a turba que condena os outros, mas ao ser confrontada, retira-se de cena, com o fardo do pecado e da culpa. É preferível abandonar a cena, retirar-se da presença do Salvador do que render-se a Ele e receber palavras de conforto e alívio. Mas feliz é quem fica, quem permanece diante do Rei dos reis e Senhor dos senhores. Os que ficam são perdoados e aliviados de seus fardos e podem seguir um novo caminho, “vai-te, e não peques mais”.

O que você prefere: ficar diante do Mestre ou retirar-se da presença dEle?

Miserável homem que sou!

Romanos 7.24.
A nossa maior luta não está nas dificuldades e tribulações da vida, mas em nosso próprio ser.
O texto bíblico, tema desta reflexão, está em um contexto em que o apóstolo Paulo fala da lei do pecado. Até certo ponto ele fala aos seus leitores, mas chega em um ponto específico em que ele começa a falar de si mesmo, incluindo-se no contexto de seus leitores, falando de sua própria luta interior. Não duvidamos da integridade e santidade do apóstolo, mas mesmo ele não era um super-homem, um ser absolutamente perfeito, ele também tinha suas fraquezas e debilidades. Chega um momento em que ele exclama: “miserável homem que sou!” (Rm 7.24).  Era a força da lei no pecado entranhada em seu ser que o levou a exclamar assim!
Quem somos nós? Somos seres humanos falíveis e imperfeitos. O mal habita o nosso ser desde o dia em que nossos pais decidiram pecar deliberadamente contra Deus. Há em nós uma semente maligna que nos impulsiona para o mal, "Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe"  (Sl 51.5).  Feliz é aquele que reconhece que em si mesmo não há bem algum, que não há bondade em seu ser: "E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus."  (Mt 19.17). É esta força poderosa que impera em nosso ser que nos impede de fazer o bem que queremos e acabamos fazendo o mal que não queremos. Vencer esse mal não é tarefa fácil. É uma luta diária e constante. E quando acabará essa luta? Somente quando partimos para a eternidade! Sim, somente quando deixarmos este mundo nos veremos livres desta luta interior e poderosa.
Entretanto, há uma boa notícia. Não estamos sozinhos nesta luta! Temos um amigo bem chegado, que está interessado em nossa vitória diária. Ao perguntar “quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24), personificando a lei do pecado que habitava o seu ser, o apóstolo dos gentios responde, dizendo: “Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm 7.25). Sim, somente Jesus Cristo pode nos livrar de nossos próprios pecados e nos dá a vitória sobre eles. Esse luta não poderá ser vencida com nossas próprias forças, é preciso refugiar-se em Cristo. “AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará” (Sl 91.1).  “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.2). Sim, em Jesus Cristo somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou (e nos ama)!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A religião pura e imaculada

"A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo."  (Tiago 1.27).

Vez por outra alguém pergunta: Qual é a religião verdadeira? Ora, há tantas religiões no mundo que as pessoas ficam confusas. Mesmo entre os cristãos há tantas divisões que fica difícil distinguir entre o verdadeiro e o errado.

Tiago não está falando diretamente da religião verdadeira. Ele diz que a religião “pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”. Temos aqui os parâmetros para a prática de uma religião que agrada a Deus. Pessoalmente tenho certa restrição com a palavra “religião”. De certa forma não discordo de Karl Max quando disse que “a religião é o ópio do povo”, no sentido em que aliena as pessoas da realidade da vida. Mas a religião pura e imaculada não aliena ninguém, muito pelo contrário, faz com que se participe das necessidades da vida, leva a se preocupar com aqueles que sofrem e precisam de ajuda, leva a não se envolver com o mal, com a corrupção deste mundo cruel.

Visitar os órfãos e as viúvas é assitir-lhes em suas necessidades, estender-lhes a mão, confortar-lhes nos momentos de solidão e dificuldades. Isso é apenas um exemplo da preocupação que devemos ter com os que sofrem e ficam desamparados. Não quer dizer que devemos nos restringir somente aos “órfãos e viúvas”, mas a todos os que necessitam de ajuda. “Os pobres sempre teremos conosco”, disse o Mestre. No meio evangélico é comum se dizer que devemos nos preocupar primeiramente com os “domésticos da fé”, ou seja, com os que são evangélicos também, no sentido de que irmão ajuda irmão . Entretanto, o texto que é usado faz uma alusão a fazer o bem a “TODOS” indistintamente, sem se esquecer dos irmãos (Gálatas 6.10). Parece que hoje, isso foi completamente esquecido na prática da religião evangélica. Os crentes estão mais preocupados em serem vitoriosos, vencedores, campeões de Jeová e prósperos financeiramente do que se preocuparem com os que sofrem e são menos favorecidos da sociedade.

Telepregadores, “apóstolos” (apóstolos?), bispos, pastores, missionários e tantos outros investem fortunas em compras de aviões, mansões, redes de televisão e rádio, bancos, bolsas de valores, construção de mega templos, do que em ajudar os menos favorecidos da nossa sociedade. E quantos pobres e necessitados temos no Brasil e em tantos outros lugares do mundo? O que está sendo feito pelos crentes para ajudar essas pessoas? O que acontecerá quando Jesus voltar e disser: "Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes”? (Mateus 25.42,43). O que está acontecendo conosco? Qual é a nossa prioridade no Reino de Deus? Os apóstolos e cristãos primitivos evangelizaram o mundo de sua época sem dinheiro algum! E o dinheiro que arrecadavam era para ajudar os necessitados (Atos 6.1; 1 Co 16.1-3). Cadê a contribuição dos crentes para os desabrigados do Haiti, para os desamparados do Rio de Janeiro, para os pobres da África e da América Latina? Está nos aviões particulares, nos canais de televisão, nos mega templos, nos shows gospels e em tantos outros lugares, menos onde de fato deveria está. Que Deus tenha misericórdia de nós!

Pelo menos vamos esperar que a segunda parte do versículo seja cumprida: “guardar-se da corrupção do mundo”, mas fica difícil pois os crentes de hoje querem “ganhar o mundo” literalmente, ou seja, viverem REGALADAMENTE no mundo, afinal, são “príncipes”, “filhos do Rei” e foram chamados para “reinar”… Chega!

MARANATA!

Onde está Deus?

"As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?"  (Sl 42.3).

Vez por outra as pessoas perguntam onde Deus está, ainda mais quando acontece alguma calamidade ou catástrofe, principalmente quando vidas são ceifadas e muita dor é causada. Ao que parece, Deus assiste tudo de camarote e não se importa com o que acontece. É isso que as pessoas pensam e querem dizer quando perguntam onde Deus está diante dessas situações.

Mas, onde está Deus mesmo? Creio que antes de responder onde Deus está, devemos responder ONDE Ele NÃO está.

Deus não está na falsidade, na mentira, no ódio, no desejo de vingança, no engano, na traição, na corrupção, na trapaça, na manipulação das pessoas e vidas, no desejo de poder, na injustiça, no fingimento, no erro, na ganância, na miséria, na avareza, na impureza e em coisas semelhantes a estas. Sim, onde vemos essas coisas, certamente Deus não está. Deus não pode está onde impera o mal, onde prevalece a maldade e a crueldade, onde a injustiça é praticada e a perversidade anda solta. Não, Deus não está num lugar assim!

Mas Deus está onde há paz, verdade, misericórdia, compaixão, amor, honestidade, sinceridade, justiça, compreensão, perdão, respeito, santidade, e onde há virtudes e sentimentos semelhantes, se há algum louvor, Deus está. "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."  (Filipenses 4.8). Onde há amor verdadeiro e sincero, perdão de coração, compaixão e misericórdia certamente Deus estará sempre presente!

Assim, esse é o parâmetro para se descobrir onde Deus está. As calamidades e catástrofes acontecem como consequência natural da corrupção humana e maldição da terra. Portanto, Deus está onde sempre esteve e sempre estará.

"Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos."  (Isaías 57.15)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Olhando para Jesus

As pessoas buscam referenciais, alguém em quem possam se espelhar, alguém que sirva de modelo, que seja um ícone de honestidade, integridade, moralidade e até mesmo espiritualidade. Com isso criam seus ídolos, seus preferidos, seus exemplos.

Não são raras as vezes em que essas pessoas se decepcionam e ficam frustradas ao verem seus referenciais caindo em algum escândalo. É como se fossem elas mesmas que tivessem passando por aquilo. Algumas perdem a fé e ficam completamente sem esperança, sem confiança nas pessoas, tanto que é a frustração e a decepção. Outras perdem até mesmo o ânimo pela vida. Triste situação!

Há consequências graves para os que promovem escândalos, segundo as palavras do Mestre. Ainda mais se o escândalo fizer tropeçar algum dos pequeninos do Senhor. Seria melhor para essa pessoa suicidar-se. Sim, amarrar uma mó de azenha no pescoço e lançar-se no fundo mar é suicídio! Certamente o Mestre referia-se ao sentimento que deve invadir a pessoa que assim procede! Deve ser terrivel! Fazer tropeçar um pequenino, tem a ver com o afastá-lo de Deus, levá-lo a cair em desgraça, a perder a fé (leia Mateus 18.6-9).

No entanto, somos alertados pela Palavra para olharmos para a direção certa, para a pessoa certa, que nunca vai nos escandalizar ou nos decepcionar: JESUS, o autor e o consumador de nossa fé! Ele deve ser o nosso referencial de vida, fé e esperança. Olhando para Ele evitaremos ficar frustrados e decepcionados com quem quer que seja. Nada nos abalará ou nos afetará, porque estaremos firmados na Rocha Eterna e Inabalável! Firmados em Cristo seguiremos avantes, independente do que aconteça, por mais decepcionante que seja. Quem está em Cristo não se decepciona ou se abala com coisa alguma! Podem vir tempestades e ventos, mas não seremos abalados, estamos na Rocha!

As pessoas falham, Jesus não. As pessoas são fracas, mas Jesus é forte. As pessoas nos decepcionam, Jesus jamais. Os ícones caem e desaparecem, Jesus continua e continuará sempre de pé!

Sim, JESUS CRISTO é o nosso maior REFERENCIAL, olhemos para Ele e jamais seremos abalados ou confudidos!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O terror dos gadarenos

“E CHEGARAM ao outro lado do mar, à província dos gadarenos. E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo; o qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguém o podia amansar. E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras” (Marcos 5.1-5).
Eis o relato de uma cidade atormetada por um maníaco que vivia clamando pelos montes e sepulcros. Esse dito maníaco era tão terrível que cadeias e grilhões não podiam prendê-lo. Certamente as pessoas viviam com medo desse indivíduo que agia como um verdadeiro louco desvairado e descontrolado. Era um bicho em forma humana. Morava nos sepulcros, se feria com pedras, e ninguém podia amansá-lo ou domá-lo. As crianças não podiam sequer passar por perto dele, imagine o medo que esse homem causava nelas. Qual seria a aparência dele? Devia ser terrível! O texto do evangelho de Lucas diz que ele não andava vestido, ou seja, andava nu. Quem se aproximaria de uma pessoa assim? Ninguém em sã consciência, com certeza. E por quanto tempo ele vivia daquela maneira? Também não sabemos. Quem sabe por anos afora! Quem eram seus parentes? Tinha família? Certamente que sim, mas faziam questão de não se identificarem. Que condição triste a desse homem!
Entretanto, estava ali um ser humano, uma alma, um homem que sofria atormetado por espíritos imundos. O que o levou àquela condição não sabemos. O certo é que ele era possuído por uma legião de demônios enfurecidos que o levavam àquela condição desumana. Aquele homem não queria viver assim, certamente. Forças alheias à sua vontade o dominavam. Haveria algum momento de lucidez? Se houvesse com certeza os demônios não deixavam que se manifestasse. E assim vivia aquela pobre alma.
Será que não havia naquela cidade um homem de Deus, disposto a ajudar aquela pobre alma? Parece que não.
Mas o que me impressiona é que os gadarenos nada faziam para ajudar aquele homem. Talvez não pudessem mesmo, dado a selvageria dele. Eles o prendiam com cadeias, como um animal e não tratavam-no como um ser humano. Por mais selvagem que fosse era um ser humano, digno de misericórdia e amor. Talvez quisessem se livrar dele o quanto antes! Muito embora a atitude deles revelou o contrário, ao verem o homem liberto, expulsaram Jesus de sua província. Preferiram valorizar mais os porcos do que a libertação de um ser humano, que sofria e vivia como bicho.
Creio que Jesus atravessou o Mar da Galiléia e enfrentou uma tempestade  somente para ajudar aquela pobre alma. Ele sabia que ele estava sofrendo. Pelo menos os demônios reconheceram que Jesus estava ali antes do tempo,  “vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” (Mt 8.29). Sim, Jesus teve compaixão e misericórdia daquele homem! Foi no tempo certo, não antes, como os demônios disseram, libertar aquele que precisava desesperadamente de ajuda! Aquele que era o terror da cidade, voltou a ser um cidadão normal, podendo viver pacificamente entre os seus compatriotas.
Esse é o Deus que servimos! Um Deus de amor e misericórida, que se compadesse, que salva, que cura, que liberta!