sábado, 12 de junho de 2010

O pastor segundo o Salmo 23

O salmo 23 nos fornece algumas características interessantes sobre a função pastoral. Evidentemente o salmista, por experiência própria, sabia o que era ser um pastor genuíno. Tendo isso em sua mente, ele aplica as características de um bom pastor ao próprio Deus, “o Senhor é o meu pastor”. Vejamos como deve ser um bom pastor:
“Nada me faltará”. O bom pastor é providente, não deixa a ovelha ficar desnutrida em todos os sentidos. Mas vejo aqui a providência com respeito ao bem-estar espiritual das ovelhas. Tratá-las com dignidade, providenciando-lhes um ambiente agradável, para que possam ser produtivas.
“Deitar-me faz em verdes pastos”.  O bom pastor tem sempre uma comida nova e adequada às suas ovelhas. Não as conduz a pastos secos, sem alimento. Isto fala de conhecimento da Palavra de Deus, intimidade, afinidade, manejar bem a Palavra da verdade. O pastor que não tem conhecimento adequado da Palavra de Deus não pode de forma alguma ser um bom pastor. Quantos pastores falham nisso! Se apegam a costumes, a coisas temporais e se esquecem do genuíno alimento espiritual, não falsificado, que realmente alimenta e traz crescimento as ovelhas.
“Guia-me mansamente a águas tranquilas”. O bom pastor produz segurança e tranquilidade às ovelhas. Guia-as com brandura, com espírito serviçal, não com ganância ou torpeza. Assim as ovelhas não sentem sede e não precisam procurar água em outras pastagens. “Águas tranquilas”, ou seja, não há turbulência, disputas, invejas, enganos. É tudo tranquilo, calmo, sereno. Quanta paz há aqui!
“Refrigera a minha alma”. Ó quanto refrigério sente a ovelha bem cuidada. Ela se sente em paz, em segurança. O louvor, a adoração fluem naturalmente pela gratidão do coração, por saber que tem um pastor que zela por ela.
“Guia-me pelas veredas da justiça”. Tratar justamente as ovelhas é sem dúvida uma condição essencial do pastor. Aqui não há acepção de pessoas. Ninguém é tratado diferente por posição social ou “status”. Não há privilegiados, todos são irmãos e tratados da mesma forma. A justiça exige isso. Quanta injustiça se tem praticado em alguns pastos (igrejas)!
“Tua vara e teu cajado me consolam”. Cajado é para ovelhas, vara é para os lobos. Alguns pensam que vara e cajado são para as ovelhas. Quanto engano! Vara e cajado são instrumentos de consolo e não de tristeza ou pesar! Há pastos em que as ovelhas já não aguentam mais tanta vara! Não tem cajado. Cajado é para puxar a ovelha, para garantir-lhe a segurança. Já a vara é para afugentar os lobos, os devoradores. Nos dias em que vivemos as pessoas vivem afligidas pelos problemas da vida e quando vão a igreja é para receberem uma palavra de conforto, de segurança, de esperança, de alegria, mas infelizmente em alguns lugares recebem palavras tão pesadas que voltam para casa entristecidas e ficam piores que antes, melhor lhes fora não terem ido àquele pasto.
“Preparas uma mesa perante mim”. Mesa farta, mesa de abundância. O inimigo é afugentado! Não há chance para ele.
“Unges a minha cabeça com óleo”. Cuidado com a saúde espiritual. Providência. Alegria, transbordar, deleite! Como é bom viver num pasto assim!
Desta forma, “a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias”. Há prazer em se estar na casa do Senhor!
Que Deus nos dê bons pastores!

Um comentário:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Graça e paz! Que texto interessante! Nunca havia lido o festejado Salmo 23 sob esta perspectiva de que o Pastor do poeta pudesse ser a referência para os ministros de hoje que pastoreiam o povo de Deus. Recordar o texto de 1 Pedro 5.1-4 torna-se oportuno quando o apóstolo pediu que o rebanho de Deus fosse pastoreado com espontaneidade e sem ganância, devendo o pastor agir como guardão de ovelhas que não pertencem a nós. Verdade que não há como um pastor humano dar tudo de si mesmo às ovelhas, tornando-se necessário ensinar a ovelhinha a ser guiada pelo Supremo Pastor do qual somos todos sua propriedade.