quarta-feira, 30 de junho de 2010

As instituições são mais importantes do que as pessoas?

Li em um blog a expressão: “…as instituições são muito mais importantes do que as pessoas”. Postei um comentário discordando da afirmação e o meu comentário não foi sequer publicado pelo moderador do blog (não vou citar a fonte por questão de ética).

Eu leio na Bíblia Deus criando todas as coisas, e depois de criar o mundo, Ele criou as pessoas. Veio então a primeira instituição, o casamento. Mas o texto se referia às instituições humanas, em forma de organizações, como é o caso das igrejas, convenções, associações, como as temos hoje. Tais instituições são importantes nas relações humanas, mas não estão acima das pessoas.

Deus olha para as pessoas e não para as instituições, esse é o meu entender! Jesus veio buscar e salvar pessoas e não instituições! “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). O que estava perdido era o ser humano e não as instituições! Aliás, foram as instituições religiosas  que mataram Jesus! Ele foi contra o sistema religioso que imperava entre os judeus, e isso o levou à morte. Evidentemente tudo estava no plano perfeito de Deus. Jesus não morreu por acaso, foi tudo planejado por Deus desde a fundação do mundo (Ap 13.8).

Instituições vêm e vão, mas as pessoas permanecem. Instituições não podem substituir as pessoas, mas as pessoas podem mudar as instituições. Creio até que há instituições nocivas às pessoas. Instituições que destroem a vida. Instituições que tiram a liberdade humana, que prendem o ser. Instituições que tolhem a liberdade de pensar, refletir, discordar, de se expressar. Tais instituições não merecem sequer existir. Devem ser desativadas, despojadas e lançadas no esquecimento.

Até mesmo a igreja, quando deixa de ser vista como um organismo vivo (o corpo de Cristo)  e se torna apenas uma instituição, não merece o título de igreja, e não devia continuar existindo. Há alguns anos atrás, lancei na convenção estadual de minha igreja uma idéia de se ministrar aos obreiros a diferença da igreja como organismo e organização. Creio que minha idéia foi adotada por um companheiro de ministério que lançou um seminário com o tema. É preciso realmente diferenciar isso!

Sou a favor do ser humano, da vida, da liberdade, do amor, da paz, da graça, da comunhão, da compaixão, da esperança! Mas sou contra todo tipo de instiuição que nega o lado humano ou que tenta anular a individualidade e a liberdade humana.

Viva as pessoas! E abaixo as instituições que se poem acima das pessoas!

Um comentário:

Rodrigo Phanardzis Ancora da Luz disse...

Concordo plenamente com as posições do irmão. Sempre é bom lembrarmos que a Igreja primitiva não tinha templos e nem CNPJ. Também não tinha associações com o Estado, embora se pregasse o respeito às leis e às autoridades, desde que não contrariando a Deus. E acredito que na Igreja primitiva nunca houve hierarquia e sim ministérios, em que cada um nada mais era do que membro dos demais, tendo como cabeça Cristo. É preciso que retornemos aos valores essenciais do cristianismo. Creio que na maioria dos casos, a institucionalização tornou-se ameaçadora às atividades da Igreja. Há situações que o sustento financeiro de quem atua em determinados ministérios e a própria manutenção da instituição ficou acima do amor. Cuida-se muito da imagem aparente, o que pode tornar-se uma limitação quanto à obra de Deus.