sexta-feira, 14 de maio de 2010

Síndrome de super-herói

image Os produtores americanos de filmes têm lançado ultimamente muitos filmes de super-heróis, que enchem as bilheterias dos cinemas e rendem milhões de dólares para os seus bolsos. A exemplo disso foi o filme Batman – o Cavaleiro das Trevas que arrecadou 153 milhões de dólares na primeira semana de exibição, ganhando de Homem-Aranha 3, que tinha arrecadado 151 milhões. Sem contar, X-Men, Homem de Ferro, Super-Homem, Demolidor e tantos outros. É a fantasia humana produzindo seres para além da imaginação. Seres com superpoderes, capazes de fazer coisas inimagináveis.
Esta mesma fantasia ocorre nos círculos cristãos. Há uma síndrome de super-herói entre os crentes ultimamente. São os super-crentes. Eles “tem a força”! São crentes que não ficam doentes, se ficarem é porque não têm fé ou estão em pecado. "Determinam" a bênção de Deus em suas vidas e na vida das pessoas e elas acontecem. Devem ser ricos e abastados, porque afinal são “filhos do Rei”. Nada de mal pode acontecer em suas vidas, pois catástrofes, calamidades, tribulações e sinistros acontecem somente na vida daqueles que não têm Deus.
Esses crentes parecem que nunca leram as palavras do Mestre: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16.33). Parecem que nunca leram as palavras de Paulo “deixei Trófimo doente em Mileto” (2 Tm 4.20), “pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14.22), ou as palavras de Pedro “Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado” (1 Pedro 4.12-14).
Sim, meus amados, coisas ruins acontecem com gente boa. Crente também sofre as consequências do pecado neste mundo caído. Vivemos em um mundo normal, cheio de gente e coisas normais, onde não há lugar ou espaço para super-crentes, mas para pessoas comuns, cheias de fé, que vivem normalmente, que enfrentam problemas normais da vida, do cotidiano, mas que olham para Jesus, o autor e consumador da nossa fé.
Que as palavras de Paulo seja o nosso incentivo do dia-a-dia: “TENDO sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5.1-5).
A Deus seja a glória!

Um comentário:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Graça e paz! Muito bom este texto! Sobre a síndrome de super-crente, recordei-me da lista dos "heróis da fé" de Hebreus 11. Ali, o autor fala não somente daqueles que "conquistaram reinos" e "fecharam a boca de leões", mas também de homens (e mulheres) que "da fraqueza tiraram força", complementando: "Uns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior; outros enfrentaram zombaria e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas". O trecho que diz "da fraqueza tiraram força" a meu vez explica a maneira como Deus trata com cada um, pois é nas horas de aflição que a fé se manifesta pelos atos de obediência, não quando está tudo bem.