quarta-feira, 21 de abril de 2010

José, o “dedurão”

José é tido como um dos mais perfeitos “tipos” de Cristo do Antigo Testamento, em virtude de sua pureza e simplicidade. Entretanto, eu vejo uma grande fraqueza em seu caráter e no relacionamento com os seus irmãos. Ele era o preferido de seu pai, gozava de alguns privilégios que deixavam seus irmãos enfurecidos com ele. José era um jovem “dedurão”, trazia más notícias de seus irmãos ao seu pai. Ele não procurou influenciar seus irmãos de forma positiva, mas procurava demonstrar ser melhor do que eles, denunciando-os. Claro que seus irmãos não eram “flores que se cheirassem”, mas isso não dava a José o direito de denunciá-los. Outro ponto, que fez com que seus irmãos o odiassem, foram os seus sonhos. Eram sonhos de Deus, é verdade, mas ele foi imprudente em contá-los, ao ponto de o próprio pai repreendê-lo.

A analogia que faço é que há pessoas que sentem prazer em denunciar os outros. Sentem prazer em expor os erros alheios. Uma leitura simples da história de José nos mostra que não havia nenhuma virtude na atitude dele. O que ele fazia só gerou ódio no coração de seus irmãos por ele. Entendo que o ódio dos irmãos de José por ele está num contexto mais amplo, há mais coisas envolvidas, como o fato de ele ser o “filhinho do papai”. “Dedurar” seus irmãos não o fazia melhor do que eles. É lógico que José era um jovem virtuoso, sincero e verdadeiro. Até mesmo ao denunciar seus irmãos, ele o fazia na simplicidade, talvez sem sequer se dando conta do grande mal que ele estava causando para si mesmo, alimentando o ódio de seus irmãos contra ele. Verdade é, também, que Deus estava no controle da vida de José!

Lembro-me das palavras de Jesus, “bem-aventurados os PACIFICADORES, porque eles serão chamados filhos de Deus”. Pacificador é aquele que ama e zela pela paz, que apazigua as disavenças, que une os que estão separados e não aquele que separa, que faz confusões, que espalha discórdias. O pacificador é reconciliador, o que diminui as diferenças, que converge para a união, para os pontos comuns.

Sejamos pacificadores e não deletores, denunciadores, “dedurões”!

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